Editorial

Augusto W. M. Teixeira Júnior

Resumo


É com grande satisfação que publicamos o novo número da Revista Brasileira de Estudos de Defesa (RBED). A nova edição apresenta as publicações que compõem o dossiê “Tecnologia, cibernética e defesa no Brasil”, organizado pelo Prof. Dr. Marco Aurélio Guedes (UFPE). O dossiê congrega trabalhos que lançam luzes acerca do ciberespaço e de suas implicações para políticas de defesa, estratégia militar e fenômenos tradicionais da segurança internacional, como o terrorismo. Em “Guerra Híbrida”, Guedes e Casalunga abordam essa modalidade de beligerância sob a perspectiva do emprego da tecnologia da informação, tendo como palco o conflito Rússia-Ucrânia. Em sintonia com a avaliação das implicações estratégicas do ciberespaço e de suas tecnologias, Devanny, Goldoni e Medeiros analisam em “The 2019 Venezuelan Blackout and the consequences of cyber uncertainty” como as ferramentas cibernéticas ampliam o horizonte de opções da interação conflitiva entre Estados. Entretanto, a ótica interestatal não é a única que está presente neste número. Tendo o Estado Islâmico como estudo de caso, o artigo “Cyberterrorism 2.0 or terrorist use of social media” de Vilar-Lopes e Medeiros, proporciona uma rica análise sobre como fenômenos clássicos da segurança internacional — como o terrorismo — se aproveitam do espaço cibernético para a produção de efeitos estratégicos. Diante das severas implicações para a defesa do desenvolvimento do domínio, estratégias e meios cibernéticos, o artigo de Loose e Pagliari — “Israel e defesa cibernética” — se debruça sobre como Israel articula os setores governamental, privado e acadêmico em busca de respostas aos seus desafios de segurança. De forma complementar, em “Guerra cibernética, ameaças às infraestruturas críticas”, Pinto e Grassi lançam luzes sobre o caso brasileiro. Conforme se observa, o presente número aborda, sob distintas perspectivas, as implicações do desenvolvimento do domínio cibernético, seus meios (cinéticos e não-cinéticos) e seus desdobramentos estratégicos. Nesse sentido, “Armas inteligentes no ciberespaço” de Assis, Bittencourt e Tavares analisa as oportunidades e desafios desses instrumentos na contemporaneidade. Encerrando o dossiê, o ensaio “Por que o Brasil deveria adotar uma distro Linux própria?” demonstra que os trabalhos desta edição refletem uma necessária e robusta agenda de pesquisa com importantes desdobramentos potenciais para a política de defesa no Brasil. Somando-se aos artigos e ao ensaio que compõem o dossiê “Tecnologia, cibernética e defesa no Brasil”, esta edição nos apresenta dois artigos de peso acerca de um tema de fundamental relevância para os estudos de defesa no Brasil contemporâneo: as relações civil-militares. Com destacada profundidade analítica, Cortinhas e Vitelli abordam as limitações das reformas para o controle civil sobre as forças armadas. Com recorte temporal limitado aos governos do Partido dos Trabalhadores (PT), o artigo proporciona um rico panorama histórico e explicações que contribuem para iluminar desafios recentes. Também abordando o tema das relações civil-militares, Succi Junior e Saint-Pierre analisam comparativamente a relação entre Forças Armadas e Segurança Pública na Argentina e no Brasil. Em sintonia com a temática supracitada, Souza encerra esta edição com uma resenha do “Dicionário de Segurança e Defesa” (Unesp 2018). Conforme o leitor pode perceber, o presente número apresenta uma mistura entre o novo (Tecnologia e Cibernética) e o tradicional (relações civil-militares) nos estudos de defesa. Certos de que a presente edição ilustra com primor a vitalidade de nossa comunidade epistêmica, a editoria da Revista Brasileira de Estudos de Defesa deseja a todos uma excelente leitura.


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DOI: https://doi.org/10.26792/rbed.v7n2.2020.75261

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