Rastreando o déficit de atenção: a política de defesa no congresso Brasileiro (1988–2019)
DOI:
https://doi.org/10.26792/rbed.v12i1.75442Palavras-chave:
Defense Policy, Policy Agenda, Public Policymaking, Legislative Process, Civil-Military RelationsResumo
Este estudo revisita o conceito de “déficit de atenção” na política de defesa do Brasil ao analisar iniciativas legislativas e executivas entre 1988 e 2019, com base em dados do Brazilian Policy Agendas Project. Embora o número de propostas relacionadas à defesa
tenha aumentado ao longo do tempo, especialmente após a criação do Ministério da Defesa em 1999 e reformas importantes no Congresso, esse crescimento não se traduziu em maiores taxas de aprovação ou em um engajamento mais amplo com a agenda
de defesa. Os resultados revelam uma lacuna persistente entre a definição da agenda e a tomada de decisão: a maioria das propostas não se converte em lei, e as que são aprovadas concentram-se em poucos subtópicos, como política geral e pessoal militar.
O estudo também avalia se o fortalecimento institucional do Congresso e o aumento do orçamento de defesa reduziram esse déficit. Os resultados mostram que nem a maior autonomia legislativa nem os gastos elevados com defesa levaram a uma maior diversidade temática ou produção legislativa. Importante destacar que a análise capta a atenção política agregada ao tema da defesa, sem distinguir a autoria entre Executivo e Legislativo, focando em padrões de engajamento no nível do sistema. O artigo conclui
que o déficit de atenção na formulação da política de defesa persiste, sustentado por uma fraca supervisão civil, inércia institucional e um engajamento mais simbólico do que substantivo.
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