Prontidão do Brasil para Exportar Produtos de Defesa: Um Estudo das Relações entre Empresas e Instituições
DOI:
https://doi.org/10.26792/rbed.v12i1.75475Palavras-chave:
Estratégia de Não-Mercado, Indústria de Defesa Brasileira, Exportação, Ambiente InstitucionalResumo
Dada a importância das exportações para a sustentabilidade da indústria de defesa brasileira frente à insuficiência da demanda doméstica, este artigo analisa o ambiente de não-mercado em que essas exportações ocorrem, sob a perspectiva institucional. Com abordagem qualitativa, exploratório-descritiva, baseada em entrevistas com profissionais experientes do setor, os resultados indicam uma dependência crítica das exportações e um ambiente institucional complexo. A atuação do Estado (comprador, fomentador, regulador) é percebida como fragmentada e insuficiente, com destaque para o principal obstáculo identificado: a obtenção de financiamento e garantias em condições competitivas. Observa-se, ainda, baixa proatividade estratégica e fragmentação na ação coletiva dentro do setor. Conclui-se que, sob a perspectiva institucional, a prontidão do Brasil para exportar produtos de defesa representa mais um potencial do que uma realidade consolidada, condicionada à superação de desafios estruturais, especialmente financeiros e de implementação das políticas declaradas. O estudo contribui ao caracterizar esse ambiente específico e destaca implicações para a estratégia corporativa e para políticas públicas.
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