Prontidão do Brasil para Exportar Produtos de Defesa: Um Estudo das Relações entre Empresas e Instituições

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26792/rbed.v12i1.75475

Palavras-chave:

Estratégia de Não-Mercado, Indústria de Defesa Brasileira, Exportação, Ambiente Institucional

Resumo

Dada a importância das exportações para a sustentabilidade da indústria de defesa brasileira frente à insuficiência da demanda doméstica, este artigo analisa o ambiente de não-mercado em que essas exportações ocorrem, sob a perspectiva institucional. Com abordagem qualitativa, exploratório-descritiva, baseada em entrevistas com profissionais experientes do setor, os resultados indicam uma dependência crítica das exportações e um ambiente institucional complexo. A atuação do Estado (comprador, fomentador, regulador) é percebida como fragmentada e insuficiente, com destaque para o principal obstáculo identificado: a obtenção de financiamento e garantias em condições competitivas. Observa-se, ainda, baixa proatividade estratégica e fragmentação na ação coletiva dentro do setor. Conclui-se que, sob a perspectiva institucional, a prontidão do Brasil para exportar produtos de defesa representa mais um potencial do que uma realidade consolidada, condicionada à superação de desafios estruturais, especialmente financeiros e de implementação das políticas declaradas. O estudo contribui ao caracterizar esse ambiente específico e destaca implicações para a estratégia corporativa e para políticas públicas.

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Biografia do Autor

Flavio Gesca Verissimo De Paula, Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas

é mestre em Gestão Empresarial pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas. É Diretor de Contratos em empresa privada brasileira no setor de defesa no Rio de Janeiro, Brasil. Contribuição na conceptualização do projeto, execução da pesquisa e elaboração do artigo. Orcid.org/0009-0002-7826-1887. E-mail: fgesca@gmail.com.

Alvaro Bruno Cyrino, Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas

é doutor em Estratégia e Política de Empresas pela HEC-Paris. É professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rio de Janeiro, Brasil. Contribuição na orientação científica da pesquisa, elaboração da discussão e conclusão, e revisão do artigo. Orcid.org/0000-0002-0823-5328. E-mail: alvaro.cyrino@fgv.br.

Octavio Amorim Neto, Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas

é doutor em Ciência Política pela Universidade da Califórnia em San Diego.
É professor titular da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), Fundação
Getúlio Vargas (FGV), Rio de Janeiro, Brasil. Contribuição na coorientação científica da pesquisa,
elaboração da discussão e conclusão, e revisão do artigo. Orcid.org/0000-0002-3891-3361. E-mail:
octavio.amorim.neto@fgv.br.

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Publicado

2025-12-15

Como Citar

De Paula, F. G. V., Cyrino, A. B., & Amorim Neto, O. (2025). Prontidão do Brasil para Exportar Produtos de Defesa: Um Estudo das Relações entre Empresas e Instituições. Revista Brasileira De Estudos De Defesa, 12(1), e025019, p. 1–31. https://doi.org/10.26792/rbed.v12i1.75475

Edição

Seção

Artigos