Evidências de divisão civil-militar no Programa Espacial Brasileiro (1985-2030)
DOI:
https://doi.org/10.26792/rbed.v13i1.75511Palabras clave:
Relações civil-militares, programa espacial brasileiro, divisão institucional, desenvolvimento tecnológicoResumen
Este artigo investiga como mecanismos de controle civil e dinâmicas de concordância entre elites civis e militares moldaram a divisão institucional do Programa Espacial Brasileiro pós-redemocratização (1985-2030). A contribuição analítica é dupla e articulada. Primeiro, verifica-se sistematicamente se os mecanismos de controle civil objetivo e de concordância estratégica coexistem em um mesmo arranjo institucional, questão ainda não examinada pela literatura sobre relações civil-militares no contexto de programas espaciais. Segundo, examina-se em que medida essa coexistência, ao consolidar domínios institucionais separados, com militares dominando veículos lançadores e civis concentrados em satélites, fragmenta capacidades tecnológicas e compromete a integração da cadeia espacial, desde o lançamento até a operação satelital. Metodologicamente, analisam-se documentos oficiais mediante análise de conteúdo categorial e teste qui-quadrado aplicados a 95 atividades espaciais. Os resultados confirmam associação estatisticamente significativa entre tipo de atividade e setor responsável, com dominância militar absoluta sobre lançamentos e predominância civil em satélites. Conclui-se que a divisão institucional, embora promova estabilidade nas relações civil-militares, limita a transferência de conhecimento entre segmentos e reduz a incidência de projetos interinstitucionais, comprometendo a integração tecnológica do setor.
Descargas
Citas
Agência Brasileira de Cooperação. 2025. “Parceria impulsiona atuação do setor privado na exploração espacial brasileira.” www.gov.br/abc/pt-br/assuntos/noticias/parceria-impulsiona-atuacao-do-setor-privado-na-exploracao-espacial-brasileira.
Agência Espacial Brasileira. 2025. “Brasil se prepara para o primeiro lançamento comercial a partir do Centro de Lançamento de Alcântara.” www.gov.br/aeb/pt-br/assuntos/noticias/brasil-se-prepara-para-o-primeiro-lancamento-comercial-a-partir-do-centro-de-lancamento-de-alcantara.
Agência Espacial Brasileira. 2023. “Linha do tempo das atividades espaciais no Brasil.” www.gov.br/aeb/pt-br/programa-espacial-brasileiro/linha-do-tempo.
Agência Espacial Brasileira. s.d.a. “Objetos espaciais brasileiros.” www.gov.br/aeb/pt-br/programa-espacial-brasileiro/objetos-espaciais-brasileiros.
Agência Espacial Brasileira. 2022. “Programa Nacional de Atividades Espaciais - PNAE”. Brasília: AEB. observatorio.aeb.gov.br/publicacoes-e-noticias/publicacoes/programa-nacional-de-atividades-espaciais-pnae#pnae-geral.
Agência Espacial Brasileira. s.d.b. “Satélites.” www.gov.br/aeb/pt-br/acoes-e-programas/aplicacoes-espaciais/satelites.
Agência Espacial Brasileira. s.d.c. “Transporte Espacial.” www.gov.br/aeb/pt-br/programa-espacial-brasileiro/transporte-espacial.
Andrade, Israel de Oliveira et al. 2021. “O Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) do Brasil: desafios, oportunidades e perspectivas.” Journal of the Americas 3, no. 3: 133–54.
Assis, Jonathan de Araújo de. 2022. “A autonomia estratégica e o fetichismo da tecnologia militar na América do Sul: análise da demanda militar do Brasil (2005-2015).” Tese — Doutorado — Universidade Estadual Paulista.
Barbetta, Pedro Alberto. 2003. Estatística aplicada às ciências sociais. 5. ed. Florianópolis: Ed. UFSC.
Borelli, Patricia Capelini e Adriano de Freixo. 2021. “As inflexões na política de defesa no governo Lula (2003-2010).” Tensões Mundiais 17, no. 34: 173–96.
Borelli, Patricia Capelini e Alcides Eduardo dos Reis Peron. 2017. “Defesa e desenvolvimento no governo Lula: uma convergência possível?” Revista da Escola de Guerra Naval 23, no. 2: 481–510. DOI: https://doi.org/10.22491/1809-3191.v23n2.p481-510
Brasil. 1988. “Constituição da República Federativa do Brasil de 1988”. Brasília, DF: Presidência da República. www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.
Brasil. 1994a. Decreto nº 1.332, de 8 de dezembro de 1994. Aprova a atualização da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais - PNDAE.Brasília, DF: Diário Oficial da União.
Brasil. 1994b. Lei nº 8.854, de 10 de fevereiro de 1994. Cria, com natureza civil, a Agência Espacial Brasileira (AEB), e dá outras providências. Brasília, DF: Diário Oficial da União.
Brasil. 1996. Decreto nº 1.953, de 29 de julho de 1996. Institui o Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais. Brasília, DF: Diário Oficial da União.
Brasil. 1999. Lei Complementar nº 97, de 9 de junho de 1999. Dispõe sobre as normas gerais para a organização, o preparo e o emprego das Forças Armadas. Brasília, DF: Presidência da República. www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp97.htm.
Brasil. 2012. Ministério da Defesa. “Livro Branco de Defesa Nacional”. Brasília: Ministério da Defesa. www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/copy_of_estado-e-defesa/livro_branco_congresso_nacional.pdf.
Brasil. 2019. Decreto nº 9.839, de 14 de junho de 2019. Dispõe sobre o Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro. Brasília, DF: Presidência da República. www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Decreto/D9839.htm.
Brasil. 2020. Ministério da Defesa. Política Nacional de Defesa e Estratégia Nacional de Defesa. Brasília: Ministério da Defesa. www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/copy_of_estado-e-defesa/pnd_end_congresso_.pdf.
Brasil. 2021a. Agência Espacial Brasileira. Portaria nº 756, de 29 de dezembro de 2021. Aprova o Programa Nacional de Atividades Espaciais - PNAE 2022-2031. Brasília, DF: Diário Oficial da União. www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-n-756-de-29-de-dezembro-de-2021-371515661.
Brasil. 2021b. Casa Civil da Presidência da República. “Governo Federal anuncia empresas selecionadas para operação do Centro Espacial de Alcântara” (Abril).
Brasília. www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2021/abril/governo-federal-anuncia-empresas-selecionadas-para-operacao-do-centro-espacial-de-alcantara.
Brasil. 2024a. Lei nº 14.946, de 31 de julho de 2024. Institui normas aplicáveis a atividades espaciais nacionais. Brasília, DF: Diário Oficial da União. www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14946.htm.
Burk, James. 2002. “Theories of Democratic Civil-Military Relations”. Armed Forces and Society 29, no. 1: 7–29. Câmara, Gilberto. 2011. “A pesquisa espacial no Brasil: 50 anos de Inpe (1961-2011)”. Revista USP 89: 234–43. doi.org/10.11606/issn.2316-9036.v0i89p234-243. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2316-9036.v0i89p234-243
Cellard, André. 2008. “A análise documental.” In A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos, editado por Jean Poupart et al.: 295–316. Petrópolis: Vozes.Escada, Paulo Augusto Sobral. 2010. “Construção e usos sociais da pesquisa científica
e tecnológica: um estudo de caso da Divisão de Processamento de Imagem do INPE.” Tese — Doutorado — Universidade de São Paulo.
Força Aérea Brasileira. 2025. O que é o PESE. Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais. www2.fab.mil.br/ccise/index.php/o-que-e-o-pese.
Goswami, Namrata. 2022. “Indian Space Program and its Drivers: Possible Implications.” Proliferation Papers 68. Paris: IFRI.
Huntington, Samuel P. 1957. The Soldier and the State: The Theory and Politics of Civil-Military Relations. Cambridge: Belknap Press of Harvard University Press.
Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). 2025. Projetos. Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). iae.dcta.mil.br/index.php/projects.
Pion-Berlin, David. 2009. “Defense Organization and Civil-Military Relations in Latin America”. Armed Forces and Society 35, no. 3: 562–86. DOI: https://doi.org/10.1177/0095327X08322565
Reed, John. 2025. “India Turns to Private Sector for Rocket Launches”. Financial Times. www.ft.com/content/9481e0eb-51ac-41a5-91c9-4852cbd4c414.
Sampaio, Rafael Cardoso e Diógenes Lycarião. 2021. Análise de conteúdo categorial: manual de aplicação. Brasília: Enap.
Schiff, Rebecca L. 1995. “Civil-Military Relations Reconsidered: A Theory of Concordance”. Armed Forces and Society 22, no. 1: 7–24. DOI: https://doi.org/10.1177/0095327X9502200101
Soares, Samuel Alves. 2006. Controles e autonomia: as Forças Armadas e o sistema político brasileiro (1974-1999). São Paulo: Editora Unesp. DOI: https://doi.org/10.7476/9788539302918
Stepan, Alfred. 1988. Rethinking Military Politics: Brazil and the Southern Cone. Princeton: Princeton University Press. DOI: https://doi.org/10.1515/9780691219639
Valente, Rubens. 2020. “Militares assinam contrato sigiloso de R$ 175 milhões para comprar satélite.” UOL (Dezembro). noticias.uol.com.br/colunas/rubens-valente/2020/12/31/militares-contrato-sigiloso-compra-satelite.htm.
Vellasco, Fabiany Maria Made e Henrique Fernandes Nascimento. 2020. “A Governança do setor espacial brasileiro: a AEB no exercício do centro estratégico do Sindae.” Revista do Serviço Público 71 (especial 3): 183–211. doi.org/10.21874/ DOI: https://doi.org/10.21874/rsp.v71ic.4664
rsp.v71ic.4664. Villas-Bôas, Ana Lucia A. 2016. PEB - Programa Espacial Brasileiro: militares, cientistas e a questão da soberania nacional. São Paulo: Chiado Editora.
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2026 Larissa Diniz Aguiar

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:1) Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
2) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).